terça-feira, 29 de julho de 2008

Uma vida sem amor

Un año sin amor, de Anahí Berneri
Pablo, 30 anos. Seropositivo, escritor. O medo da morte, a solidão, a ausência de afectos e a busca constante de um sentido para a vida levam-no a procurar no masoquismo um caminho que o permita avançar. Esta é a história de "Un año sin amor", filmada em Buenos Aires por Anahí Berneri.
Estranha forma de encontrar a solução para os seus males. Como se pode encontrar conforto num quarto escuro de uma discoteca ou numa sala de um qualquer cinema porno? De que forma a submissão poderá preencher o vazio deixado pela ausência de amor? Como poderá a dor e a humilhação compensar a inexistência de um carinho? Não será antes reflexo de uma desistência pela vida e de tudo o que de belo ela nos pode proporcionar? E não será revelador de um enorme tormento interior e de uma total ausência de autoestima? Não será a busca constante de sexo desprovido de afectos uma forma de fuga à realidade a todo o custo, tal como são todas as outras adicções? Estarei simplesmente a ser preconceituoso na minha percepção? Haverá realmente alguém que escolha conscientemente este caminho e possa ser verdadeiramente feliz?

4 comentários:

Esteva disse...

O sexo sem afectos? Porque não? É uma escolha, como qualquer outra. A vida sem afectos é que é verdadeiramente perturbante e difícil de viver. E, quanto a mim, as fugas à realidade não são censuráveis. O cinema é uma delas, evidentemente. Dito isto, eu prefiro sexo com afecto - e com amor, melhor ainda :D chuaque.

Venus as a boy disse...

Nada que eu referi é censurável na medida em que não atenta contra a liberdade de ninguém. Cada um é responsável pelas suas escolhas e caminhos.

Sim, todos nós precisamos de fugas à realidade. Desde que essas fugas não se transformem na única coisa de importante que temos na vida, ou não? Ou então quando a nossa vida se torna uma constante fuga a nós mesmos.

O sexo sem afecto não é de forma alguma reprovável ou estaria também a reprovar alguns dos meus actos. Mas não será questionável se o afecto estiver ausente na maioria do sexo que praticamos?

O único problema (ou não!) poderá estar na forma como equilibramos todos estes desejos, fugas, vontades e sonhos na nossa vida.

Até que ponto todas estas questões levantadas por mim não revelam demasiadas certezas e pouca flexibilidade da minha parte em entender a multiplicidade de expressões de afectos, desejos e fantasias?

Atendendo ao adiantado da hora a que escrevi este post, logo após o visionamento do filme referido, e ao turbilhão de ideias que despertou na minha mente, deverão relativizar (e muito!) o sentido de muitas das minhas palavras.

Anónimo disse...

Onde posso arranjar o filme?

Venus as a boy disse...

Eu saquei-o da net... Gay-torrents.net