Mostrar mensagens com a etiqueta Pensamentos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pensamentos. Mostrar todas as mensagens

domingo, 3 de julho de 2011

"Oh menino, tanta ilusão!"

Ovelhas cretinas (ou serão cretenses?)
As viagens são um rosário de sensações e de emoções que nos despertam do entorpecimento das rotinas e dos compromissos, fazendo-nos estar atentos ao que de mais simples nos rodeia. As estrelas voltam a cintilar no céu escuro e desaparecem os títulos dos jornais que nos deprimem e angustiam. O conforto do sofá é substituído por um saco-cama no chão do convés de um navio. Deixamos de precisar de 100m2 de casa, bastam-nos uma mala de 55 cm x 40 cm x 20 cm. A voz que anuncia a estação de metro seguinte é substituída pelos sons do marulhar das ondas e dos rituais de sedução das cigarras. Ilusoriamente sentimo-nos capazes de enfrentar os mares revoltos que nos separam da ilha mais próxima e de virar costas a empresas geridas com tacos de golfe em função da flutuação do mercado bolsista. Até que o calendário nos obriga a fazer um novo check-in e reorganizar o disco duro para eternizar mais 2gb de memórias. Até quando?

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Ilusões animadas






Que vontade tenho de partilhar um barco com um rebanho de ovelhas, cruzar montanhas e rios num comboio a vapor, aceitar boleias de estranhos simpáticos, subir à colina mais próxima para contemplar de longe a cidade de conto de fadas e aplaudir de pé ao espectáculo de um mágico atropelado pela velocidade dos tempos modernos!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Optimismo nas ruas da amargura

Não há optimismo que resista às notícias de que as abelhas estão a desaparecer aos magotes e que ainda ninguém descobriu o porquê.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

010101010101....000000000000

Ultrapassado o choque e tristeza inicial, lentamente vou conformando-me com a possibilidade de ter perdido para sempre praticamente todas as fotografias que tirei nos últimos três anos.
O disco externo decidiu encravar e guardar para si tudo o que lá tinha; fotografias, música e muitos outros ficheiros que aos poucos vão-me fazendo falta. E logo agora que estava a começar o processo de criação de backups dessa informação...
Há a possibilidade de recuperar o seu conteúdo, mas só batendo à porta de uma dessas místicas empresas de recuperação de dados e desembolsando entre 500 a 1000 euros. Por isso, deixo aqui um apelo a quem conheça alguém que trabalhe numa dessas empresas; faço favores sexuais em troca da recuperação da informação do disco :P
Ainda pensei em recorrer ao reiki mas tenho receio que desmagnetize o disco!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Direito aos afectos

O direito de dormir abraçado a alguém devia ser consagrado na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Quem alinha na petição?

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Angústias laborais

Depois de quinze dias com o botão desligado, cá estou eu de regresso às rotinas laborais. Uns minutos antes de sair de casa, volto a sentir-me como um puto de oito anos que odeia o professor e não quer ir para a escola. Enquanto devoro os flocos do Minipreço, misturados com sementes de linhaça, farelo, cevada e sementes de sésamo, eis que leio o seguinte:

"o trabalho não foi feito para o homem mas sim para os asnos. Mesmo um pequeno esforço pode, porventura, dar prazer algumas vezes, uma vez que não seja um trabalho. Um esforço gratuito pode tornar-se útil e simpático, mas o trabalho, pelo contrário, é uma coisa inútil e modifica a imaginação."

Em "A Ilha de Arturo", de Elsa Morante (Relógio d'Água, 2010).

Esboço um sorriso pela ironia do acaso, lavo apressadamente a tigela e preparo os Deolinda para me atenuarem da angústia que invade os meus sentidos. Prá frente que é caminho!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

O casario da Vitória


Bairro da Vitória, Porto. A torre escura espraia-se lá no alto e o casario encavalitado, com os seus alegres telhados laranja, desce quase quase até à beira Douro. De momento este é o cenário de muitas inquietações, ansiedades, certezas e incertezas, planos, medos, alegrias, sonhos, projectos e tudo o que mais se pode imaginar. Mas, como dizia o outro, "prognósticos só no fim do jogo".

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Músicas de fazer arrepiar - 12

Caminham os três sem destino sobre a areia branca da praia. Pelo caminho tropeçam com um ribeiro, que os obriga a procurar a margem mais estreita para atravessá-lo e continuar com a deambulação. Um clique musical desperta na minha mente e canto em silêncio e em repetição até o dia terminar.

"By this River", Brian Eno

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Pilas tesas e belas ratas

A gerência pede desculpa às cerca de 40 visitas mensais que cá chegam porque pesquisaram no google a expressão "pilas tesas" ou "belas ratas". De facto é criar demasiadas expectativas, muito acima do que este blog pode proporcionar para satisfazer os prazeres solitários da noite.

Ventos luminosos

Um dia rumarei para norte, apanharei vários aviões e transportes terrestres, vestirei a roupa mais quente que tiver e ficarei à espera que os ventos solares soprem fortes e apareçam no céu escuro em forma de auroras boreais e que invadam os meus sentidos com as suas luzes, cores e formas mágicas. E o silêncio...

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A pomba-galinha da paz

A pomba-galinha da paz
Nas inúmeras praias percorridas, nunca tropecei numa garrafa de vidro com uma mensagem lá dentro. E não foi por falta de desejo! Sonhei vezes sem conta em encontrar uma mensagem escrita por alguém de lá longe, numa língua estranha que me obrigaria a consultar dicionários e gramáticas para decifrar o seu conteúdo. Algo de mágico e romântico. Ah, mas isso só acontece nos filmes, sempre pensei eu! Até que, há umas semanas atrás, em pleno rebuliço da rua Santa Catarina em plena hora de ponta comercial, uma rapariga anónima entrega-me uma garrafa de plástico, atada com um fio e com um desenho de uma espécie de pomba-galinha, suponho que simbolizando a paz. Sorri, partilhei a surpresa com as minhas colegas de trabalho e enchi-me de boa disposição pelo inesperado.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Micas da manta laranja

Micas da manta laranja
Depois do sol veio a chuva e depois da chuva veio o sol. Entretanto assisti às curtas de Agnès Varda que correram a cidade; subi e desci as calçadas antigas do centro histórico de cabeça no ar; fiquei sem internet em casa e o telemóvel avariou (devo ter cá uma sorte com os telemóveis... cinco em oito anos!!!); fui ver as novas exposições do CPF; a tampa da sanita lá de casa foi finalmente substituída; encontrei amigos na rua e fui lanchar com eles; recebi uma prenda fantástica que me fez voltar a usar a máquina fotográfica no caminho para o trabalho (muito obrigado pais!); respirei os novos ares que andam a renovar a cidade; descobri a Márcia e fiquei encantado (obrigado mais uma vez, meu caro Daniel!); vasculhei tudo em busca de um cd com fotos importantes e ainda não encontrei (é para eu aprender a ser mais organizado...); liguei o aquecimento pela primeira vez; comi muitas castanhas rodeado de bons amigos; provei os cinco Olho no Pé que estão quase a serem lançados; a chuva sem parar não afectou negativamente o meu estado de espírito que anda quase primaveril; simpatizei com o Carlos do filme "Os Sorrisos do Destino"; fiz playback de músicas dos filmes do Almodóvar; as tulipas cresceram a olhos vistos; participei num concurso de fotografia e não ganhei nada; sonhei com paisagens sobre o casario velho da cidade; comprei camisolas mais quentes; estraguei um guarda-chuva; comovi-me quando as pequenas mãos da Júlia agarraram os meus óculos; inscrevi-me no Banco Alimentar; e a Micas voltou a dormir no meio de nós.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Porno na adega

No frenesim báquico de uma adega em tempo de vindimas, por vezes o pensamento descai-nos para estas coisas: que nomes ou expressões poderiam ser usados num filme porno gravado numa adega? Aqui vão alguns que me passaram pela cabeça:

"Aperta-me o gargalo"
"Orgia no lagar"
"Agarra-me no pipo"
"Toca-me no cacho"
"Prensa-me o engaço"
"Transfega-me todo"
"O teu macaco é maior que o meu"*

Aceitam-se mais sugestões! ;)

* Para quem não sabe o que é um macaco, posso tranquilizar-vos dizendo que é um instrumento feito de madeira que permite remover o mosto nos lagares.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Adeus Verão, olá Outono!

Não há razões para ficar triste e entrar em depressão outonal. É certo que as andorinhas já partiram mas está a chegar o colorido das folhas secas das árvores e das vinhas; o sabor das castanhas assadas e dos deliciosos dióspiros (prometo partilhar uma receita em breve); as sombras das nuvens e a luz dura que farão avivar as cores e os contrastes das fotografias; os serões com a lareira acesa; o regresso dos encontros pantagruélicos com os amigos; os sucessivos feriados e fins de semana prolongados; e as noites agarradinhas ao nosso gajo, debaixo de um edredon bem quentinho!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Três ingredientes que fazem o verão ser verão

1) O som reconfortante das cigarras;
2) A mistura de odores de protector solar, sal e suor emanados pelo corpo nos primeiros segundos do duche, depois de um dia passado na praia;
3) As trovoadas de fim de estação, que nos agitam e revigoram a alma!

sábado, 5 de setembro de 2009

Um autómato brilhante

Copy/paste, upload file, insert image, .gif, forward message, open file, copy/paste, upload file, reply message, email sent, vpn connect, you've got 10 new messages, login/password, .swf, upload file, save as, copy/paste, login/password, vpn disconnect, reply message, save, you've got 5 new messages...

Esta semana fui um autómato brilhante! Trabalhei por três pessoas, não tive pausas para respirar, esvaziei-me de pensamentos e de sentimentos, deixei de ser mim mesmo, fui contra os meus princípios laborais, trabalhei horas extra não remuneradas, encurtei à minha hora de almoço, ajudei colegas, atendi o telefone dezenas de vezes, respondi a centenas de emails, repeti e repeti e repeti vezes sem conta as mesmas tarefas, não reclamei, ouvi reclamações e sempre sem parar. E o mais curioso disto tudo é que nem se devem ter dado conta do meu esforço.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Cabelos

Cabelos 1
Eles podem ser loiros, castanhos, pretos, ruivos, brancos, ondulados, volumosos, encaracolados, cacheados, espetados, lisos, curtos, compridos, entrançados, pintados, naturais, secos, brilhantes, suaves, ásperos, normais, oleosos, finos, grossos e um sem fim de características e feitios.
Eu comecei com ele bem preto, passou de liso a uns caracóis à Marco Paulo e foi-se alisando à medida que a infância se despedia. Na adolescência a risca ao lado foi dando lugar a popa e a um cabelo sem sentido único. Um champô de supermercado desidratou-me o couro cabeludo e as mazelas perduraram até hoje. Depois eles foram crescendo, crescendo, ficando rebeldes, até que um dia consegui apanhá-los num rabo de cavalo. Foi com eles soltos que andei pela primeira vez de moto. Um dia cansei-me e cortei. Desde então o seu tamanho tem flutuado à medida da minha preguiça para me sentar na cadeira do cabeleireiro. Entretanto os anos foram passando e os cabelos foram-se acumulando, cada vez em maior número, no ralo da banheira. As brancas deixaram de se poder contar pelos dedos e dizem que vou ficar um grisalho charmoso. Outros dizem que ficarei careca muito antes. Apenas sei que entro em estado zen quando me tocam neles e que ficaria horas e horas a receber carícias no couro cabeludo.
Cabelos 2

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Corrosão diária

Maldita rotina diária que nos corrói a alma, que nos esvazia e nos deixa inertes!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

"Direction: Hospital de São João"

Estação de Metro de João de Deus, 9:05. Quero recarregar o meu "Andante" mas as máquinas não aceitam pagamento através de cartão. Tenho de apressar os trocos para poder entrar no veículo que se aproxima estridentemente do cais de embarque. Lá dentro o ar condicionado está regulado para temperaturas dos trópicos. Tento desembaraçar o novelo de fios dos fones do meu mp3. Uma mulher, lá no alto dos seus tacões, fala nervosamente ao telemóvel com a suposta amante do seu marido. "Puta" é uma palavra repetida vezes sem conta. Outra mulher desabafa com a sua amiga "Eles dão muito trabalho, mas foda-se!...", observando orgulhosamente o seu pequenote, para quem o mundo é uma realidade a brincar. Finalmente consigo ouvir "Nocturno", do Sassetti. Arrepio-me! As ondas agitam o rio recordando que, daqui prá frente, já será difícil ir para a praia sem corrermos o risco de trazer um quilo de areia nos bolsos e nos poros da pele. Chego à minha estação. Escadas e mais escadas. A rua. Lojas e mais lojas. Começa mais um dia de trabalho.